top of page

SELFIE MUSEUM E ESPAÇOS INSTAGRAMÁVEIS: DESIGN DE AMBIENTES PARA O MEIO DIGITAL

  • Foto do escritor: Isabela Covre Sagrillo
    Isabela Covre Sagrillo
  • 12 de jul. de 2024
  • 4 min de leitura

Atualizado: 31 de jul. de 2024

Por Isabela Covre Sagrillo


A dissertação intitulada "Selfie Museum e Espaços Instagramáveis: Design de Ambientes para o Meio Digital," explora um fenômeno contemporâneo amplamente presente na era das redes sociais: os "selfie museums" e os espaços instagramáveis. Esses locais são projetados para criar cenários visualmente atraentes com o principal objetivo de atrair usuários para a produção de conteúdo para plataformas como o Instagram.



O estudo surgiu da observação de uma lacuna teórica sobre o conceito de "instagramável," termo frequentemente utilizado nas redes sociais e nos meios profissionais de design e arquitetura, mas que carecia de uma definição acadêmica concreta. A autora, com sua experiência em design e arquitetura, percebeu a necessidade de estabelecer uma base teórica que pudesse explicar as características essenciais desses ambientes.


Motivada pela influência crescente das redes sociais na interação das pessoas com os espaços físicos, a pesquisa investiga como o Instagram, com seus algoritmos que promovem o engajamento através de imagens esteticamente agradáveis, impulsiona a criação de ambientes especificamente projetados para serem fotografados e compartilhados.



O principal objetivo da dissertação é desenvolver uma taxonomia dos ambientes considerados instagramáveis, fornecendo uma base teórica para a compreensão e aplicação do conceito no design de interiores e na criação de espaços comerciais. A pesquisa busca responder a questões como: o que caracteriza um espaço instagramável? Como esses espaços utilizam a estética como fator de venda? O fenômeno do selfie museum pode realmente ser considerado um museu? E ele é de fato destinado à selfie?


A metodologia de pesquisa adotada é de natureza básica, com um objetivo exploratório, desenvolvendo-se em duas etapas principais. A primeira etapa consistiu em um levantamento online de diversos selfie museums ao redor do mundo, permitindo a identificação de características comuns nesses espaços. A segunda etapa envolveu um estudo de caso presencial nos selfie museums do Brasil, permitindo um comparativo com as características usuais no design de interiores e uma análise detalhada de sua utilização.


A taxonomia dos ambientes instagramáveis é um dos pontos centrais da dissertação. Através de uma análise detalhada, a autora identificou diversas características essenciais para a criação de um ambiente visualmente atraente e adequado para a produção de conteúdo destinado às redes sociais. A taxonomia desenvolvida inclui aspectos como cenografia, iluminação, materiais e cores, além da funcionalidade e conforto.

A dissertação revisa a literatura existente sobre os selfie museums e espaços instagramáveis, trazendo contribuições de autores renomados no campo do design e da sociologia das redes sociais. Entre os autores pesquisados estão Lev Manovich, que aborda o "Instagramismo" como um estilo global de design caracterizado por uma estética visual específica, e Boris Groys, que discute o conceito de espaço social como um espaço de exposição onde indivíduos aparecem tanto como artistas quanto como obras de arte autoproduzidas.


Um dos estudos de caso mais detalhados é o Selfie Gramado, um dos selfie museums analisados no Brasil. A autora explorou aspectos como iluminação, dividida em geral e cênica, destacando a importância da luz na criação de um ambiente instagramável. Analisou também elementos decorativos, como neon e vegetação, e identificou os materiais utilizados, focando em suas propriedades estéticas e emocionais.



Conclui-se que os selfie museums e espaços instagramáveis representam uma nova forma de interação social e consumo na era digital, mais do que apenas locais para tirar fotos. A pesquisa destaca a importância de compreender esses espaços sob uma perspectiva teórica e prática, fornecendo uma base para futuros estudos e aplicações no campo do design e da arquitetura.


A contribuição da autora vai além da mera descrição dos espaços; ela propõe uma estrutura teórica que pode ser utilizada por profissionais e acadêmicos para entender e aplicar o conceito de instagramável de maneira mais efetiva. A dissertação de Isabela Covre Sagrillo é, portanto, um passo significativo na formalização e compreensão acadêmica de um fenômeno contemporâneo que continua a evoluir com as redes sociais.


Para aqueles interessados em design, arquitetura, marketing digital e sociologia das redes sociais, esta dissertação oferece uma leitura essencial que combina teoria e prática, explorando como os espaços físicos podem ser projetados para atender às demandas da era digital.


Referências e materiais consultados:


AMBROSE, G.; HARRIS, P. Fundamentos do Design Criativo. Porto Alegre: Bookman, 2012.

AZEVEDO, W. O Que é Design. São Paulo: Brasiliense, 1988. CARBON, C. C; Universal Principles of Depicting Oneself across the Centuries: From Renaissance Self-Portraits to Selfie-Photographs. 2017. Disponível em: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyg.2017.00245/full#note1a. Acesso em: 11 set. 2023.

CARDOSO, R. Design Para Um Mundo Complexo. Brasil: Cosac Naify, 2013.

COMAS, C. E. Espelho e Labirinto. arq.urb, [S. l.], n. 4, p. 98–103, 2010. Disponível em: https://revistaarqurb.com.br/arqurb/article/view/206. Acesso em: 04 jul. 2022.

DINIZ, C. O mercado do luxo no Brasil: tendências e oportunidades. São Paulo: Seoman, 2012.

FARINA, M.; PEREZ, C.; BASTOS, D. Psicodinâmica Das Cores Em Comunicação. 5. ed. ver. e ampl. São Paulo: Edgard Blücher, 2006.

FERREIRA, C.; SANTOS, G. Design Lúdico: definições de uma estrutura interativa. Rio de Janeiro, 2014.

GROYS, B,; The Obligation to Self-Design. 2008. Disponível em: https://www.eflux.com/journal/00/68457/the-obligation-to-self-design/. Acesso em 10 de Out. de 2023.

GURGEL, M.; Projetando Espaços: Design de Interiores. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2011.

HENN, R.; “Mosaicos de Espelhos e Invenções de Si: Um Aqui e Agora Sem Fim”. In: MONTARDO, S. (coord.); #Selfies: subjetividade e tecnologia. Porto Alegre: Sulina, 2018. p. 71 – 90. INSTAGRAMÁVEL. In: Priberam Dicionário, 2022. Disponível em: https://dicionario.priberam.org/instagram%C3%A1vel. Acesso em: 30 ago. 2022.

KAUFMAN, A. Alimento e emoção. 60. ed. Revista da ABESO, São Paulo, ano XII, n. 60, 2012.

LUPTON, E. O design como storytelling. Tradução Mariana Bandarra. Osasco, SP: Gustavo Gili, 2020.

LUPTON, E.; PHILLIPS, J. Novos Fundamentos do Design. Brasil: Cosac Naify, 2008.

MANOVICH, L.; Instagram and Contemporary Image. Attribution-NonCommercialNoDerivatives 4.0 International Creative Commons, 2017. Disponível em: http://manovich.net/index.php/projects/instagram-and-contemporary-image. Acesso em: 27 de agosto de 2022.

SANZ, C.; SOUZA, F.; CAMPELO, L. Vida Instagramável: Habitando Tempos E Espaços Do Mundo-Empresa. Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación, [S. l.], v. 20, n. 37, 2021. DOI: 10.55738/alaic.v20i37.711. Disponível em: http://revista.pubalaic.org/index.php/alaic/article/view/711. Acesso em: 27 de agosto de 2022.

SIBILIA, P.; O Show do Eu. Rio de Janeiro: Contraponto, 2016.


Leia a dissertação do Isabela na íntegra:


Sobre a autora

Mestra em Design, Arte e Tecnologia pela Universidade Anhembi Morumbi (2023), possui graduação completa em Design de Interiores pela Fundação de Assistência e Educação (2015) e em Arquitetura e Urbanismo pela Fundação de Assistência e Educação (2018). Atualmente é Coordenadora e Professora do Curso de Arquitetura e Urbanismo, no Centro Universitário Unesc, e atua como designer de interiores e arquiteta autônoma. Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Design de interiores. Atua também como Avaliadora e Perita. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9018362450905031

 
 
 

Comentários


bottom of page